Volume 6, Número 3 (2016)

Editorial

A Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos apresenta mais um número com textos que refletem criticamente questões fundamentais de “Nuestra América”. É nossa intenção, desde 2011, quando iniciamos esse periódico, estender um espaço fértil de pensares e análises, permitindo assim a constituição de uma trama que alcance uma mirada totalizante e estrutural.

Abrimos esse volume oferecendo o instigante texto de Gilberto Felisberto Vasconcellos, “O colapso energético e ecológico do capitalismo”, no qual ele mostra que o capitalismo está depredando a natureza e ameaçando a sobrevivência do planeta, enquanto se registra uma completa ausência de reflexão sobre esse tema nas Ciências Sociais. Ele aponta que na contradição entre sociedade e humanidade, provocada pelos combustíveis fósseis, petróleo e carvão mineral, responsáveis pelo aquecimento global, o trópico aparece como uma alternativa para limpar e salvar o planeta Terra, o que implica ir além do capital, cuja razão de ser é a busca do lucro.

Em seguida temos o texto, “Uruguay 2015: la opción por el ajuste”, de Jorge Notaro Roumas. Ele aponta como o país avançou, até 2014, no aumento PIB, no número de pessoas empregadas, redução da pobreza, etc.. E como a partir de 2015 começou um processo de reversão por conta da política de ajuste aplicada pelo governo.

O debate sobre os povos originários é apresentado no texto “Um território que não tinha nome: Os povos originários nos livros didáticos venezuelanos e brasileiros”, de André Luan Nunes Macedo, que é o resultado de uma investigação comparativa de livros didáticos brasileiros e venezuelanos atualmente em circulação nesses países. Nele, o autor busca refletir sobre os contrastes e identidades, problematizando a construção das narrativas em torno das civilizações ameríndias e dos povos originários latino-americanos.

O quarto artigo é “Apontamentos sobre proteção social e a filosofia dos povos originários”, de Elaine Tavares. O texto discute a proteção social aos indígenas no Brasil mostrando que não há uma preocupação em entender o universo filosófico dos povos originários e apresenta elementos da filosofia e da cosmovisão originária de vários povos da América Latina.

Depois, temos o texto “Entre o imperialismo e o subimperialismo: a projeção brasileira à Bolívia e ao Peru nos governos Lula da Silva (2003-2010)”, de Rafael Teixeira de Lima, que discute a possibilidade do subimperialismo brasileiro na região sul-americana no século XXI e recupera esse conceito como ferramenta fundamental para a compreensão da realidade regional.

A Bolíva e os movimentos sociais são o tema do artigo “Movimientos sociales: Impulsores en la construcción de la Constitución Política de Bolivia 2009”, de Elissandro dos Santos Santana e Jesús Ibáñez Ojeda, no qual discutem se a Constituição atual foi realmente fruto das demandas populares que assomaram com força a partir do novo governo de Evo Morales, fruto de longas luta travadas desde o ano 2000.

A filosofia se expressa no texto “Contribuição a uma crítica geografizada do pensamento: uma leitura situada do pensamento filosófico desde a América Latina”, de Bruno Reikdal Lima. Nele o autor põe em questão o deslocamento geográfico do ponto de partida para a constituição de um macro-relato histórico da filosofia trabalhada na América Latina, de modo a criticar a periodização e a filosofia da história eurocêntrica que habitualmente se utiliza.

O último artigo do volume é “Judiciário, política e transição: O Saber Técnico E A “Mão Invisível” das Políticas”, de Maria da Graça Marques Gurgel e Plínio Régis Baima de Almeida. No trabalho eles propõem desvelar o papel desempenhado pelo Judiciário no Brasil ao longo dos anos, bem como o seu nível de diálogo com os valores democráticos.

A resenha está a cargo de Paulo Alves Pereira Júnior, com o texto “Revolução e contrarrevolução na Guatemala na segunda metade do século XX”, no qual apresenta o livro A Revolução Guatemalteca, escrito por Greg Grandin e publicado pela Editora UNESP em 2004.

O Ensaio Fotográfico traz o registro imagético acerca da Ocupação Jambalaia, no Rio de Janeiro, com autoria de Rafael Guedes Imenes. O trabalho na ocupação localizada em Campo Grande, Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ), expõe os personagens, as condições insalubres de moradia e o cotidiano dos moradores.

Esperamos que o apanhado desse volume, com temas tão candentes possa proporcionar uma boa e fértil reflexão acerca do nosso continente. Boa leitura.

Coletivo editorial

Ensaios Fotográficos

Autores desta edição