O Haiti é Aqui: Sub Imperialismo Brasileiro e Imigrantes Haitianos em Santa Catarina - SC

Autores: 
Luis Felipe Aires Magalhães

Resumo

Nenhum país revela tão claramente como o Haiti a vigência histórica do “desenvolvimento do subdesenvolvimento” em uma formação econômica e social dependente. De colônia mais próspera do mundo durante o período colonial à país mais pobre da América, atualmente, o Haiti é palco de inúmeras contradições próprias do capitalismo dependente. Estas contradições condicionam, historicamente, um verdadeiro “povo migrante”. A tradição migrante no país inicia-se já na passagem do século XIX ao XX, quando muitos haitianos migravam para o trabalho na produção cafeeira de República Dominicana e Cuba. Especialmente na segunda metade do século XX, formam-se novos fluxos migrantes, sobretudo para os Estados Unidos, Canadá e França. Atualmente, por conta de fatores como a crise capitalista e o consequente fortalecimento da xenofobia nos países centrais, estes fluxos têm se diversificado, no que se destaca a migração recente de haitianos para o Brasil. Esta artigo tem como objeto o fluxo de haitianos para o Estado de Santa Catarina nos últimos anos. Nossa hipótese é a de que a presença subimperialista brasileira no país condiciona o fluxo de haitianos para o Brasil. Para investigar esta hipótese, desenvolvemos uma metodologia que combina revisão teórica da história do país, particularmente de sua história migrante, análise da presença militar e econômica brasileira no Haiti, em que discutimos a categoria do subimperialismo e sua vinculação a processos migratórios, e trabalho de campo realizado nas cidades catarinense de Balneário Camboriú e Chapecó.