Autogestão e emancipação dos trabalhadores: limites das cooperativas na produção capitalista

Autores: 
Martin Zamora

Resumo

A atual crise do capitalismo, apontada por diversos autores como uma crise estrutural, vem demonstrando a incapacidade de se produzir alternativas por dentro da lógica do capital. Sendo assim, cabe agora à classe trabalhadora apontar o caminho para a superação do sistema do capital. A tarefa de encontrar este rumo exige uma análise radical das alternativas que estão postas para compreender quais destas colaboram com o avanço da classe rumo a uma sociedade socialista e quais delas, por insistir na necessidade de reformar um modo de produção incontrolável, não conseguem contribuir de forma efetiva para a emancipação da humanidade das determinações do capital. A autogestão vem se apresentando como uma alternativa desde o surgimento da classe trabalhadora, seja na auto-organização das lutas por direitos políticos, econômicos e sociais ou ainda organizando processos coletivos de produção sem a presença de patrões, isto é, sem a diferenciação entre os que detêm os meios de produção e os que só possuem a sua força de trabalho. Na atualidade há um grande número de experiências de empreendimentos autogestionários. Na América Latina, com o desenvolvimento de políticas neoliberais nos anos 90, o desemprego estrutural levou muitos trabalhadores a buscar alternativas de subsistência fora do mercado de trabalho formal. Por outro lado, com o fim do protecionismo e um elevado grau de desnacionalização da economia, diversas empresas decidiram fechar os seus parques produtivos. Algumas destas empresas foram ocupadas pelos seus trabalhadores que após um período de luta, conseguiram retomar as atividades produtivas. Este cenário se verificou com força no final da década de noventa no Brasil, no início dos anos 2000 na Argentina, principalmente depois da crise de 2001, e se verifica agora na Europa, principalmente em países que se encontram atingidos diretamente pela crise econômica de 2008, como é o caso da Grécia, Espanha e Portugal. O objetivo deste trabalho é revisar a literatura referente à autogestão, centrando nosso foco naquela que se refere à autogestão na produção, observando à luz da perspectiva marxista, quais são as contribuições e os limites que este modelo apresenta na busca pela superação da sociedade do capital. Esta análise terá como guia a categoria de sociometabolismo do capital de István Mészáros.