A Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos reúne pesquisadores de onze universidades brasileiras, visando a troca de informação e socialização do conhecimento sobre a América Latina. 

Atradição intelectual brasileira se caracteriza por certa distância das influências marcadamente latino-americanas. E, ainda que tenha havido uma grande mudança nas relações de poder no continente, o Brasil ainda não está de frente para a realidade dos demais países da América Latina. Há, é fato, um crescente interesse de nosso país pelos assuntos da região, mas, nas universidades brasileiras ainda estamos longe de consolidar um trabalho de reflexão permanente sobre a realidade latino-americana.

Precisamente para superar esta lacuna, O Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IELA), coordena a Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos (REBELA), com o intuito de organizar o esforço que atualmente muitas universidades desenvolvem de maneira isolada.

A formação da Rede implica, obviamente, na unificação de um programa de pesquisa sobre a realidade social de nosso continente que compartilhe os mesmos pressupostos teórico-metodológicos e o mesmo horizonte político: rigor científico, pensamento crítico e a conquista de um continente soberano, unificado e pós-capitalista, no terreno da política.

A condição para participar da REBELA é, portanto, manter seminários, disciplinas, projetos e iniciativas intelectuais, de maneira permanente, nas universidades brasileiras, na graduação e no sistema de pós-graduação. Implica, pois, em reconhecer a própria região – marcada pela dependência e o subdesenvolvimento – como o objeto de estudo que merece a reflexão sistemática relativamente aos grandes problemas políticos, econômicos, sociais e culturais, que deverão ser analisados a partir de uma ciência própria, que evite o eurocentrismo, tendência dominante nas ciências sociais.

A Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos permitirá aos centros ou núcleos a ela filiados contar com o apoio do IELA-UFSC, especialmente no que se refere à presença de destacados cientista sociais que participam das Jornadas Bolivarianas, anualmente realizadas na UFSC, como também de outras iniciativas no terreno da pesquisa e da extensão, organizadas a partir de Florianópolis.

Na corrente do pensamento crítico que marcou época em décadas anteriores em muitas universidades latino-americanos, o programa de pesquisa do IELA reconhece a dependência como o principal problema da região, razão pela qual nenhum dos graves problemas sociais poderão ser resolvidos sem a superação da mesma, que perpetua o subdesenvolvimento. As sucessivas ondas modernizantes, impulsionadas de fora para dentro, e aplicadas sem reservas a partir do Estado latino-americano, não somente são incapazes de resolver os problemas da desigualdade e da injustiça, senão que são precisamente a causa pelas quais essas características se perpetuam sem solução definitiva a curto prazo.

Os centros filiados na REBELA ficam, portanto, compromissados a dialogar nesta linha de pesquisa, com o objetivo de consolidar, nas universidades brasileiras, estudos sobre nossa realidade relacionados a qualquer aspecto da vida social. Mas é preciso insistir no caráter permanente destes estudos sujeitos às restrições da política oficial – não existem linhas de pesquisa apoiando estudos latino-americanos – e fugir dos modismos que, de maneira recorrente, surgem na universidade. Trata-se, portanto, de um trabalho que nos ocupa ano após ano e cujos resultados não podem ser antecipados. Mas vale dizer que a situação do continente, marcada nos últimos anos pelo crescimento da luta de massas, requer a cada dia uma atitude intelectual, rigorosa em termos teórico-metodológicos, e, ousada na política, contribuindo para a recuperação de um tipo de intelectual que não teme compromisso com seu povo e possui clareza de que a relação entre conhecimento e política não admite a hipótese da “neutralidade científica”.

Esta nova situação política da América Latina, resultado da modernização capitalista impulsionada a partir da solução capitalista à crise da dívida externa no início da década de oitenta, colhe agora os frutos da rebeldia e da contestação. A função da teoria neste momento é, então, decisiva. Os adversários ao rigor teórico não residem exclusivamente na universidade latino- americana, mas inclusive no seio do próprio movimento popular que, não ingenuamente, também cultiva certo ranço anti-intelectual que tem sido nocivo para consolidar mudanças que favoreçam as maiorias latino-americanas.

Participam da Rede Brasileira de Estudos Latino-Americanos

FURB/Fundação Universidade Regional de Blumenau

UEL/Universidade Estadual de Londrina

UEM/Universidade Estadual de Maringá

UEPB/Universidade Estadual da Paraíba

UFCG/Universidade Federal de Campina Grande

UFES/Universidade Federal do Espírito Santo

UFPE/Universidade Federal de Pernambuco

UFSC/Universidade Federal de Santa Catarina

UNIOESTE/Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Cascavel

UFRGS/Universidade Federal do Rio Grande do Sul

UNILA/ Universidade Federal da Integração Latino-Americana