Proibido esquecer Henry Reeve

7 de Abril de 2020, por Pedro Martínez Pírez

O inglesito tinha 19 anos quando foi a Cuba
O inglesito tinha 19 anos quando foi a Cuba

Cento e setenta anos  se cumpriram,  no último dia  quatro de março, do nascimento, no bairro do Brooklyn, Nova York, do jovem estadunidense Henry Reeve, que aos 19 anos de idade veio a Cuba em uma expedição, participou de quatrocentas batalhas e conquistou, por sua valenctia, o grau de General de Brigada do Exército Libertador.

Conhecido em Cuba como “o inglesito”, Henry Reeve havia participado quando era um adolescente na Guerra de Secessão em seu país, vestindo o uniforme do Exército do Norte contra os escravistas do sul.
Atraído pela campanha pró-independência iniciada em Cuba por Carlos Manuel de Céspedes em 10 de outubro de 1868, e pelas idéias libertárias dos emigrantes cubanos da época radicados em Nova York, ele decidiu viajar para Cuba e se juntar ao Exército de Libertação. Foi capturado logo na chegada e fuzilado pelos colonialistas espanhóis, que o entregaram como morto. Mas, ele sobreviveu aos ferimentos e, em 13 de junho de 1869, ocupou o posto de sargento de segunda classe nas fileiras da independência cubana.
 
Em 2 de outubro do mesmo ano, foi promovido a tenente; em 16 de junho do ano seguinte passou a capitão; dois anos depois para a comandante; em 3 de março de 1873, foi promovido a tenente-coronel, quatro meses depois, a coronel e, em dezembro daquele ano, a General de Brigada. 

Henry Reeve lutou sob as ordens de dois grandes chefes militares pró-independência: Ignacio Agramonte, de Camagüey, e Máximo Gómez, da República Dominicana, que diziam: “o Inglesito une valor comprovado, uma retidão e seriedade pouco comuns no seu comando. Por isso, seus soldados lhe tem um profundo respeito e o querem como a um pai”.
 
A história dos combates em que Henry Reeve participou é impressionante. Ele foi ferido várias vezes ao longo de seus sete anos como membro do Exército de Libertação de Cuba. E em setembro de 1873, quando atuava como chefe da cavalaria, sofreu uma lesão muito grave na perna direita que o afetaria até sua morte heroica em 4 de agosto de 1876, aos 36 anos de idade. 

Depois do ferimento na perna os médicos disseram que ele nunca mais poderia andar ou montar um cavalo, mas ele não aceitou o prognóstico. Arranjou um suspensório metálico e conseguiu voltar a caminhar. Já para conseguir montar, ele precisava ser amarrado ao cavalo. E desse jeito seguiu comandando o famoso batalhão de Cavalaria Camagüey. 

Muitas pessoas no mundo conhecem as façanhas dos integrantes dos contingentes médicos que levam o nome de Henry Reeve, mas a maioria não sabe que foi o Comandante Fidel Castro, quem em 19 de setembro de 2005 batizou com esse nome a Brigada que Cuba ofereceu aos Estados Unidos para enfrentar os graves danos humanos e materiais provocados pelo furação Katrina, e que o presidente daquele então, George W. Bush, não aceitou. 

“Nós demostraremos que há respostas a muitas das tragédias do planeta”, disse Fidel Castro no ato de criação do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias “Henry Reeve”. E ainda agregou: “nós demostraremos que o ser humano pode e deve ser melhor e demonstraremos o valor da consciência e da ética. Nós ofereceremos vidas”, enfatizou Fidel. 

Desde a sua criação, os contingentes da Brigada Henry Reeve prestaram sua ajuda solidária a numerosas nações. Nos primeiros cinco anos de existência foram à Guatemala, Paquistão, Bolívia, Indonésia, Peru, México e China. Nos últimos dez anos, os contingentes da Henry Reeve agiram em solidariedade no Chile, após um terremoto, e no Haiti devido ao impacto de outro terremoto que causou uma epidemia de cólera.

Famosa foi a performance da Brigada Henry Reeve em 2014, na Serra Leoa, Guiné e Libéria, para combater o Ebola, e no ano seguinte atuando depois do terremoto no Nepal e da tempestade tropical "Erika" na Dominica.

O ano de 2016 foi marcado pela presença dos membros da Brigada Henry Reeve no Equador, abalado por um terremoto, e no Haiti, atingido pelo furacão Matthew. No ano seguinte, os contingentes da Henry Reeve estavam presentes no Peru, devido às fortes chuvas e, em vários estados do México, afetados por um terremoto.

Há dois anos, o Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde concedeu à brigada médica cubana o Prêmio de Saúde Pública em memória do Dr. Lee Jong Wook. É um reconhecimento ao trabalho de solidariedade de Cuba, que agora é expresso nos contingentes que contribuem para enfrentar o Covip-19 em várias nações da América Latina e Europa. 

Cento e setenta anos após o nascimento do bravo jovem americano Henry Reeve, que lutou contra a escravidão em seu país e deu sua vida pela independência de Cuba, pouco se sabe sobre ele nos Estados Unidos, cujos governantes não apenas rejeitaram há quinze anos a oferta cubana de colaboração médica para as vítimas de Nova Orleans, como recentemente intensificaram o bloqueio criminoso e ilegal contra Cuba, que também prejudica o povo dos Estados Unidos.