Palestinos e brasileiros discutem sionismo e racismo

23 de Maio de 2017, por Elaine Tavares


Na Palestina é assim. Ninguém é dono de si. Qualquer garoto saído dos cueiros, se for israelense e tiver uma farda, pode tudo. Eles humilham mulheres, homens, jovens e aterrorizam crianças. É coisa cotidiana. Acontece todos os dias, desde o fatídico 15 de maio de 1948, quando o Estado de Israel foi criado à força. Naquele dia, milhares de famílias tiveram de abandonar suas casas, suas oliveiras, suas mais sagradas lembranças e sair, na direção de lugar nenhum, fugitivas em sua própria terra. Desde aí, sob o fogo de Israel, as gentes palestinas seguem sendo desalojadas, no meio da noite, no dia, pela força dos tanques e da armas. Já são 69 anos de terror, mas o povo resiste.

Vez ou outra explode o desespero, em violência. E ainda há os que insistem em condenar as vítimas. Na verdade, há que deter a "fonte do crime", que ainda goteja, como dizia o grande poeta Mahmoude Darwich. E esta fonte não fica no lado palestino. O que podem as gentes comuns diante de tanques? Israel segue aprisionando pessoas, simplesmente por serem palestinas, boa parte dos detidos é de crianças. E que crime cometeram estes meninos de olhos aterrorizados? Nenhum, apenas nasceram palestinos! Há ainda denúncias de que alguns têm seus órgãos retirados por conta do tráfico de órgãos humanos, outros são torturados da mais variadas formas, mulheres são estupradas. É o terror.

Por isso que no mês de maio em todo o mundo os palestinos lembran AL Nakba, o dia da catástrofe, que foi num 15 de maio de 1948. Um dia para não se esquecer. Um dia para celebrar a resistência heroica de uma gente que não se rende e busca, por sobre todos os muros, a flor da liberdade. 

Em Florianópolis a celebração será no dia 25, às 19, no Plenarinho da Assembléia Legislativa. Haverá uma mesa redonda com o tema: “Sionismo e Racismo”, com a participação de Afrânio Boppré (Partido Socialismo e Liberdade), Lino Peres (Partido dos Trabalhadores), Mateus Graoske (Partido Comunista Brasileiro), Serge Goulart (Esquerda Marxista), Hasan Félix (pesquisador Cubano) e Khader Othman (Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino).

Também haverá o lançamento do livro "Vítimas de um Apartheid ou Ativistas Silenciosos do Sionismo” de autoria de Hasan Félix.


ESTRANGEIRO NUMA CIDADE DISTANTE

Quando eu era pequeno
E belo,
A rosa era a minha morada,
E as fontes eram os meus mares.
A rosa tornou-se ferida
E as fontes, sede.
- Mudaste muito?
- Não mudei muito.
Quando voltarmos à nossa casa
Como o vento,
Olha para a minha testa.
Verás que as rosas são agora palmeiras,
E as fontes, suor,
E voltarás a encontrar-me, como eu era,
Pequeno
E belo...

Mahmoud Darwich