O cotidiano e o espaço no jornalismo a partir das ocupações urbanas em Florianópolis (SC)

11 de Outubro de 2019, por Elaine Tavares


O IELA/UFSC disponibiliza a tese da jornalista Míriam Santini de Abreu, defendida em agosto de 2019 no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC e intitulada "Espaço e cotidiano no jornalismo: crítica da cobertura da imprensa sobre ocupações urbanas em Florianópolis".  Nesse trabalho Miriam foca sua análise na mídia comunitária, popular e alternativa.

Veja o resumo.

RESUMO

O jornalismo como crítica do cotidiano a partir da compreensão do espaço constitui o objeto de estudo desta tese. A investigação orienta-se pelo materialismo dialético e pela metodologia de pesquisa bibliográfica em fontes primárias e secundárias e pesquisa hemerográfica. O objetivo geral é examinar as manifestações da ideologia produzidas pelo jornalismo tradicional e explorar as potencialidades do jornalismo independente na cobertura do cotidiano no espaço urbano, vislumbrando a possibilidade de o jornalista ser capaz de uma prática criadora que constitua o jornalismo como obra, valor de uso, em contraposição ao jornalismo como produto, valor de troca. Os conceitos centrais são os de cotidiano, espaço, ideologia e obra, assim como as noções de dominação, apropriação e cronotopo. O jornalismo é tratado como fenômeno histórico-social concreto, com especificidades próprias, que tem, potencialmente, instrumentos que podem estar a serviço da emancipação humana. Os autores centrais da pesquisa são Henri Lefebvre e Adelmo Genro Filho. A partir da discussão de como se deu a produção do espaço na cidade de Florianópolis (SC), apresentam-se três diferentes processos de ocupação urbana – dois por moradia (Ocupação Amarildo de Souza e Ocupação Marielle Franco) e um por lazer/cultura (ocupação da Ponta do Coral). O conjunto empírico é composto de 145 notícias e reportagens dos jornais Diário Catarinense e Notícias do Dia (jornalismo tradicional) e da revista Pobres & Nojentas, do portal Desacato e do coletivo Maruim (jornalismo independente). O estudo das coberturas jornalísticas das ocupações expõe o funcionamento dos mecanismos da ideologia e o desvendamento (ou não) da alienação, sua base material, a partir do esquema proposto por Sánchez-Casas. A pesquisa conclui que o jornalismo de crítica do cotidiano elucida a experiência vivida no espaço singularizada no cronotopo. 

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