A morte de Héctor Alimonda e a possibilidade de reescrever a história

5 de Maio de 2017, por Elaine Santos


Faleceu em 03 de Maio o sociólogo argentino nascido em Buenos Aires que viveu mais de 20 anos no Brasil como Professor da Universidade Rural. Héctor Alimonda passou a vida a lutar por causas importantes e a desnaturalização daquilo que é considerado natural. Promotor de uma ecologia política em nossa América Latina, a mesma que vende e às vezes dá sua natureza para sustentar grandes grupos. Héctor Alimonda nos deixou um legado de compreensão da natureza mostrando que esta se impõe a partir de eventos catastróficos, mas os desastres são socialmente produzidos, e assim sendo, está em nossas mãos a possibilidade de reescrever a história.

Em seu trabalho “La natureza colonizada” assentou sua crítica na economia de rapina que se assentou na América Latina diante a construção de megaprojetos, energéticos e extractivistas que em nada modificam a vida de grande parte da população, ao contrário, são realizados para sustentar àqueles que já possuem e sempre possuíram poder de barganha em Nuestro Continente. O que andam a realizar politicamente na América Latina não é um equívoco o a volta do (neo)liberalismo é sim um crime contra à vida da população. Ao fim e ao cabo acaba vão assolar ainda mais os países colonizados que agora se transformam em uma nova feitoria de vítimas que se ampliam diariamente. 

Frente ao colapso que vivemos em toda quase toda América Latina, o posicionamento e o pensamento de Héctor Alimonda nos dará forças a permanecer lutando, usando seu aporte teoria para construir outra sociedade, quando nos defrontamos com os mesmos problemas em dimensões singulares e combinadas. Fica a reflexão de Héctor na busca por uma solidariedade latino americana ao analisar a Invenção da América Latina.

Um curioso contraponto de circunstâncias repõe no começo do século latino-americano uma homogeneidade de problemas que torna fundamental, aos olhos de muitos intelectuais, uma efetiva solidariedade continental. Como no período da Independência, os países latino-americanos parecem defrontar-se com os mesmos inimigos, com os mesmos desafios. Nada mais natural, então, do que procurar (re)constituir uma tradição que podia esgrimir antecedentes verossímeis (e até marciais), interrogar-se por uma identidade continental e por identidades nacionais referidas a ela, propor ações e objetivos comuns a partir dessa recomposta solidariedade.

Gracias a Héctor Alimonda!

Referências

Alimonda, Héctor. (1994) A América Latina e outras invenções. Consultado a 04.05.2017 em 
http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/brasil/cpda/estudos/doi...