Mídia e Poder na América Latina

10 de Setembro de 2019, por Elaine Tavares


A conjuntura mundial, especialmente a latino-americana, na qual a comunicação e as novas tecnologias de difusão e concentração de dados assumem papel decisivo, leva o IELA a propor para a XV edição das Jornadas Bolivarianas o tema: “Mídia e Poder na América Latina”. As Jornadas acontecem nos dias 16, 17 e 18 de setembro, no Auditório da reitoria/UFSC.

A Guerra do Golfo em 1994 inaugurou uma nova forma de comunicar. Através da rede mundial de computadores a informação como realidade “on line” - ao vivo -   apareceu para uma boa parte da população como uma possibilidade concreta de democratização e,  com o passar do tempo, começou a fazer parte da vida cotidiana das sociedades. A vida em tempo real passou a competir com a tradicional forma de comunicar, sempre mediada por jornalistas, analistas ou intelectuais. E ainda que apresentada pelos meios comerciais, a aparência de verdade se estabelece.

Com o advento do Orkut em 2004 e a possibilidade de interação entre pessoas de espaços geográficos distantes, tem início aquilo que se configurará chamar como “redes sociais” e que se incrementam de maneira avassaladora com a criação do Facebook (expandido para o mundo em 2010) e do Whatsapp logo em seguida. Essas plataformas se transformam em gigantescos espaços de acumulação de dados sobre os cidadãos do mundo, que a elas se vinculam de maneira autônoma e por livre vontade. Um gigantesco sistema de informação sobre as pessoas que tem cobrado seu preço.

Esse fenômeno está causando uma espécie de revolução comunicacional, na qual perdem espaço os meios tradicionais de comunicação como TVs, Jornais, revistas etc... e ganham amplitude as redes, inclusive com toda a possibilidade de manipulação dos dados e informações conforme já denunciou Edward Snowden. Os resultados desse controle da informação mostrou sua força na eleição presidencial dos Estados Unidos, em 2016, e também na eleição brasileira, agora em 2018, desvelando sua íntima relação com o tema do poder político, econômico e cultural.

Para debater esse panorama, articulado com a questão do poder e da ideologia as Jornadas trarão intelectuais de vários espaços da América Latina, com destaque para o Brasil.

Já estão confirmados Juarez Cirino dos Santos (Brasil), Alejandro Olmos (Argentina) Eduardo Rada (Bolívia), Esther Quiaro (Venezuela) Natália Vinelli (Argentina), Gilberto Felisberto Vasconcellos (Brasil), Raphael Seabra (Brasil), Nildo Ouriques (Brasil), Edgard Rebouças (Brasil) Sérgio Lessa (Brasil) e Elaine Tavares (Brasil).

Esse ano o IELA completa 15 anos de atividades na UFSC e também fará a celebração dessa data no evento com a apresentação de um vídeo que reproduz a memória de todo esse tempo de vida.

PROGRAMAÇÃO

Dia 16 de setembro

Manhã - 8:30

Abertura oficial das Jornadas Bolivarianas

Conferência – O sistema da dívida, os meios e o poder financeiro

Alejandro Olmos (Argentina)

Tarde -  14:30 às 18:00

Apresentação de Trabalhos (Auditório da Reitoria)

. O Percurso Walsh -  André Queiroz (UFF)

. Takumã Kuikuro: um cineasta pesquisador indígena, da Aldeia Ipatse à Londres - Lorelay Tietjen Mochnacz Andrade (UDESC)

. Notas sobre como se aprende com a conjuntura: Greve dos caminhoneiros, demobilização e suas repercussões para Saúde Pública - Leonardo Carnut (UNIFESP)

. Os comunistas e a Revolução Bolivariana (1999-2019): Duas décadas de luta contra o imperialismo, pelo poder popular e pelo socialismo no século XXI - Túlio César Dias Lopes (UFMG)

 

Noite - 18:30

Apresentação do vídeo: 15 anos do IELA

Conferência – Comunicação e poder em tempos sombrios

Edgard Rebouças – UFES

Conferência – Justiça Criminal e Meios de Comunicação: a lógica da Operação Lava Jato

Juarez Cirino dos Santos (UFPR)

 

Dia 17 de setembro

Manhã - 09:00

Conferência – Encruzilhadas do processo revolucionário boliviano

Eduardo Rada (Bolívia)

Conferência – Estado, fascismo e guerra irregular na América Latina

Raphael Seabra (UNB)

 

Tarde - 15:30 às 18:00

Espaço especial

 

Noite - 18:30

Conferência – O jornalismo, o jornalista e a revolução

Elaine Tavares  - (UFSC)

Conferência – Imprensa, empresa e a esquerda sem mídia

Gilberto Felisberto Vasconcellos (UFJF)

 

Dia 18 de setembro

Manhã - 09:00

Conferência – Lukács, ideologia e o falso socialmente necessário

Sergio Lessa (UFAL)

Conferência – Os meios alternativos e comunitários como sujeitos políticos da Revolução Bolivariana

Esther Quiaro (Venezuela)
 

Tarde - 14:30 às 18:00

Apresentação de Trabalhos (Auditório da Reitoria)

. Fábricas de pensamentos: a ideologia neoliberal e os Think Tanks - Laurem Janine Pereira de Aguiar (PUC-RS), Giovane Dutra Zuanazzi (UFRGS)

. Mariátegui, Labor e a organização da classe trabalhadora peruana - Carmen Susana Tonquist (UDESC)

. Os esforços de integração latino-americana sob condução da lumpemburguesia - Raphael L. Teixeira (UNILA), Wolney Carvalho (UNILA)

. Crime organizado e a política externa - O controle do PCC nas fronteiras mostra a fragilidade da política externa brasileira - Antonio Baptista Gonçalves (PUC-SP)

 

Noite - 18:30

Conferência – A comunicação “desde abajo”. Estratégias da televisão alternativa na transição digital

Natalia Vinelli (Argentina)

Conferência - Os donos da liberdade de expressão: o mito da liberdade de imprensa

Nildo Ouriques (IELA/UFSC)