López Obrador é o novo presidente do México

2 de Julho de 2018, por Elaine Tavares

Foto: Diario de México
Foto: Diario de México

Poucas horas antes da grande eleição que elegeria o presidente, o Congresso Nacional, prefeitos e mais nove governadores, as notícias eram de assustar. A manchete do La Jornada estampava “Caos pré-eleitoral”, com notícias sobre confrontos, compra de votas e assassinatos. O temor era de que se repetisse a fraude e o candidato melhor colocado nas pesquisas não lograsse vencer. O México vive desde há anos um longo processo de degradação, no qual no qual os sucessivos governos tiveram muita responsabilidade. 

Mas, quando bateram às oito horas da noite de ontem na cidade do México, os candidatos já reconheciam a vitória de López Obrador, que conseguiu alcançar uma cifra histórica: 53,8% dos votos, vencendo já no primeiro turno.  “Reitero o compromisso de não trair a confiança que depositaram em mim milhões de mexicanos. Vou governar com retidão e justiça, não lhes falharei. Não vou decepcioná-los. Não vou trair o povo”, afirmou Obrador em sua primeira mensagem à população ainda no hotel onde esperava a contagem. 

Cerca de 64% dos 90 milhões de eleitores compareceram às urnas, apesar do opressivo clima de violência, e no próximo dia primeiro de dezembro López Obrador inicia seu mandado de seis anos. É uma virada importante para o México visto que AMLO está mais articulado à esquerda, podendo garantir mais uma arrancada progressista na América Latina. 

Tão logo começou a votação os mexicanos já se encaminhavam para o Zócalo, a gigantesca  praça central da cidade do México e quando os resultados foram divulgados a festa foi avassaladora. A chegada de López Obrador fez a terra tremer. Os mexicanos saudaram a chegada de um novo tempo. 

Esta foi a maior eleição realizada no México, na qual foram disputados três mil cargos, com disputas locais em 30 das 32 unidades federativas. O Congresso Nacional foi renovado nos seus 500 deputados, sendo que 300 foram eleitos por maioria relativa e 200 por representação proporcional, bem como mais 128 senadores. 

Manuel López Obrador começou sua carreira no Partido Revolucionário Institucional (PRI) em 1970, onde ficou até 1988. Nesse mesmo ano foi eleito governador de Tabasco pela Frente Democrática Nacional. Nasceu no povoado de Tepetitlán, em Tabasco, e já está a 48 anos atuando na polícia mexicana. Foi chefe do governo do Distrito Federal, de 2000 a 2005 quando então começou sua caminhada para a presidência. Perdeu para Felipe Calderón e perdeu para Peña Nieto, mas nesse período viu o México viver uma espiral ascendente de violência sob o domínio do narcotráfico. 

Passados 12 anos de governos totalmente ajoelhados diante das políticas neoliberais e dos Estados Unidos, foi a vez de López Obrador chegar à presidência. Nas duas últimas eleições não passou de 34% dos votos. Agora, recebe a maioria e chega em primeiro turno. Foi um longo processo de construção. 

No seu discurso no Zócalo deixou claro de que vai governar para todos, mas primeiro para os pobres. Seu desafio maior será atacar e erradicar a corrupção endêmica e a violência. 

Em toda América Latina a vitória de López Obrador está sendo saudada com alegria. Sabe-se que não será um governo radical de esquerda, mas, com certeza poderá atuar no sentido de promover transformações estruturais. Pega um estado combalido e dependente, perigosamente próximo do império estadunidense. Não será fácil avançar. De qualquer forma, vencer as eleições de maneira tão contundente, enfrentando todas as tramoias e fraudes, não é qualquer coisa. Com o retumbante apoio popular, Obrador terá condições de realizar mudanças. 

Para os mexicanos o único desejo é de que chegue logo dezembro e as mudanças começem.