Guatemala: assume o novo presidente

14 de Janeiro de 2016, por Elaine Tavares

 


Depois de grandes mobilizações que colocaram um fim ao governo de Perez Molina - acabou renunciando em setembro do ano passado - a Guatemala empossa hoje o novo presidente, Jimmy Morales, de 46 anos. Ele assume em meio a uma grave crise no estado: saúde pública em estado precário, falta de professores na educação, poucos tributos e alta corrupção. Eleito na esteira de sua popularidade como comediante de televisão, ele concentra as expectativa de milhares de guatemaltecos que querem mudanças significativas no país. 

Mas, apesar da vitória retumbante, os parceiros de Jimmy para governar o país já estão dando mostras de que pouca coisa pode se esperar no quesito mudança para melhor.  Apesar de ter sido eleito por conta da palavra de ordem de sua campanha: "Nem corrupto, nem ladrão", cercou-se de gente como José Ramón Lam, que conduziu o processo de transição e está sendo acusado de plagiar um estudo, e também o coronel Edgar Ovalle, acusado de crimes de lesa humanidade.

Ainda assim, Jimmy assume garantindo que vai incrementar a batalha contra a pobreza, bem como os serviços públicos básicos com qualidade. Sua propostas se ancoram nos modelos neoliberais e pretendem modernizar o campo - o que significa manter os privilégios dos grandes fazendeiros - e potencializar a indústria do turismo.  

A festa de posse teve presenças ecléticas. Vieram o rei da Espanha,  Juan Carlos de Borbón, Alicia Bárcena, secretária da Comisão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL); Néstor Mendez, secretário adjunto da Organização de Estados Americanos (OEA), o vice-presidente de Cuba, Salvador Valdés, o primeiro-ministro de Belize, Dean Barrow, o vice-presidente da Nicarágua, Moises Omar Halleslevens Acevedo, o presidente do Equador, Rafael Correa, o presidente do México Enrique Peña Nieto, o presidente de Honduras,  Orlando Hernández, e Joseph Biden, vice-presidente de Estados Unidos.

E como se fosse muito natural, o vice estadunidense chegou anunciando que estava ali para promover a luta contra a corrupção, coisa que já coloca de orelha em pé qualquer pensamento crítico. Os jornais divulgaram que haverá uma reunião entre o novo presidente da Guatemala e Biden a portas fechadas, no qual discutirão o Plano Aliança para a Prosperidade, outra ideia dos Estados Unidos que os críticos chamam de nova colonização. 

Sem experiência política e sem qualquer plano de governo claro, Jimmy Morales insiste que será o governante das mudanças. Ele garante que é um homem sem qualquer estrutura por trás, ainda que esteja à cabeça de um grupo que foi criado por veteranos das Forças Armadas, muitos deles envolvidos em massacres durante a guerra civil dos anos 80, como é o caso de Édgar Ovalle, líder da bancada governista no Congresso.

Apesar de se dizer um admirador de José Mujica, o ex-presidente uruguaio, Morales se declara um nacionalista cristão, a favor da pena de morte, contra o aborto e contra o casamento de homossexuais. 

 

Com informações de jornais guatemaltecos.