Estudantes negros derrubam reitor

11 de Novembro de 2015, por Elaine Tavares

Estudantes exigem respostas ao racismo
Estudantes exigem respostas ao racismo

O reitor da Universidade de Missouri, Tim Wolfe, renunciou ao cargo depois de grandes protestos de estudantes por conta da maneira como a administração atuou nos denunciados casos de racismo dentro da universidade. Segundo relatos, sistematicamente acontecem ataques racistas, como pinturas de símbolos nazistas nas pareces, insultos e xingamentos aos negros, ataques a atividades culturais levadas por negros, e sem que a direção da universidade tome posição sobre os fatos.

Durante várias semanas, estudantes negros realizaram manifestações contra o que chamaram de uma “resposta pífia” aos insultos raciais e vandalismo praticados contra estudantes negros. Eles também exigiam uma resposta da instituição ao assassinato de um estudante negro, Michael Brown, em Ferguson. Michael, conhecido como “o gigante gentil”, tinha 18 anos e acabara de ser aceito na universidade, quando foi morto por um policial branco, em uma abordagem de rua. 

Também o aluno de pós-graduação Jonathan Butler, iniciou uma greve de fome na semana passada, o que apressou a queda do reitor. No último sábado, jogadores de futebol, negros, igualmente se somaram ao protesto e prometeram boicotar as partidas e as atividades de outros clubes de futebol, até que Wolfe renunciasse. Os membros do corpo docente da Universidade realizam greve e a Associação dos Estudantes do Missouri, que representa mais de 27 mil estudantes de graduação, exigiu a renúncia de Wolfe. Finalmente, nessa segunda-feira, o reitor anunciou, em uma conferência de imprensa, que abandonaria o cargo. 

Tim Wolfe declarou: “Eu pedi a todos: estudantes, docentes, trabalhadores, amigos, a todos, que usem a minha renúncia para curar as feridas e voltar ao diálogo, realizando as mudanças necessárias. Vamos mudar o que podemos mudar hoje e no futuro”.

O reitor do campus de Columbia, também da Universidade de Missouri, Bowen Loftin, igualmente anunciou sua renúncia. 

Os estudantes sabem que isso apenas não basta. O ódio racial nos Estados Unidos segue bastante fortalecido e será preciso muita luta para garantir os direitos e para destruir esse ranço. A luta segue. 

(Com informaçãoes do Democracy Now).

Jogadores de futebol se recusaram a jogar e também protestaram
Jogadores de futebol se recusaram a jogar e também protestaram