Equador caminha para uma greve geral

7 de Outubro de 2019, por Elaine Tavares

 


No Equador, diante da crise provocada pelo governo, com novos empréstimos feitos ao FMI e a aplicação das medidas de ajuste impostas pelo banco internacional, as comunidades indígenas decretaram estado de exceção nos seus territórios e estão em luta no chamam de “Paro Nacional”. Em todo o país as comunidades se levantam e exigem do governo a suspensão das medidas.

Por dois dias houve uma paralisação dos transportes, com levantamentos em todo o país e mesmo depois do retorno a normalidade desse setor, as comunidades seguiram lutando e não devem parar enquanto não for levantado o que chamam de “pacotaço” contra o povo.

Como é comum nas mobilizações dos povos originários daquele país, as formas de luta são os trancamentos de estradas e o enfrentamento armado com as tropas do exército ou polícia nacional. Em alguns casos, as comunidades têm colocado para correr os fardados, golpeando-os com paus e pedras.

As comunidades têm deixado claro que agem de acordo com os seus princípios e não estão apoiando os chamados dos partidários de Rafael Correa, que também se aproveitam das lutas para fazer oposição a Lenín Moreno. As organizações do campo indígena rechaçam qualquer instrumentalização de seus protestos por qualquer outra organização que não seja a das comunidades.

A repressão do governo tem sido brutal com as comunidades sendo atacadas por drones, tanques e tropas. Ainda assim a resistência também tem sido grande e os povos indígenas já organizam uma grande marcha até a capital Quito, com chegada prevista para o dia 09 de outubro, culminando na Greve Geral que pretende juntar todas as forças populares contra as medidas econômicas tomadas pelo presidente Lenín Moreno.

Ainda que muitas lideranças indígenas tenham apoiado o atual presidente, com o tempo, acabaram se afastando em função da quebra das promessas. De novo, não encontraram eco para suas reivindicações no governo federal, como já tinha sido com Rafael Correa. O governo atual seguiu aprofundando o extrativismo nas terras equatorianas, sem consulta aos povos indígenas e agora promove mais um arrocho sobre a população com a promulgação do Decreto 883, que colocou fim a quatro décadas de subsídio sobre os combustíveis, provocando aumentos de até 100% na gasolina, o que tem repercussão em toda a cadeia produtiva e distributiva. O decreto também ataca e assalta direitos sociais da maioria da população, o que tende a ampliar os protestos.