Desafio no Uruguai é restringir Movimentação na Semana de Turismo

4 de Abril de 2020, por Duda Hamilton

Plaza Zabala, na Cidade Velha, Montevidéu. Foto: Victoria Bugallo
Plaza Zabala, na Cidade Velha, Montevidéu. Foto: Victoria Bugallo

De 13 de março, quando foi declarada a emergência sanitária,  até esta sexta, 3 de abril, o Uruguai registrou 369 casos positivos de Covid-19, quatro mortes e foram realizados 3.819 testes numa população de 3,5 milhões de habitantes. Dos casos positivos, 32 são de profissionais da saúde. O Ministério do Interior pede para a população ficar em casa para frear a contaminação. O maior desafio do país é conter a movimentação nas estradas por causa da Semana do Turismo – de 5 a 12 de abril. Só funcionam no país serviços essenciais, como farmácias, supermercados e padarias. A presidência da República estendeu, ontem (2), o seguro desemprego para todos os uruguaios até 31 de maio deste ano.

Nas duas últimas mortes, na quinta-feira, os contágios foram em um casamento e numa igreja. A primeira morte por COVID-19 foi em 28 de março. Em entrevista, o secretário do Plano Nacional do Covid-19, Álvaro Delgado, e membros do Ministério da Saúde, informaram que os casos constatados se mantêm estáveis nos últimos dois dias e que 41 pacientes diagnosticados com coronavírus foram recuperados.  Nove departamentos, o equivalente a estados no Brasil, estão com casos confirmados e dez departamentos permanecem livres do Covid-19, inclusive as cidades da fronteira como Rivera, Artigas e Chuí.

O Plano Nacional do Covid-19 do Ministério da Saúde Pública está veiculando uma forte campanha nacional em TVs, rádios e jornais que traz sete ações para as pessoas se cuidarem. Entre elas estão lavar as mãos regularmente; evitar contato próximo com pessoas que tenham febre, resfriados e outros sintomas; não compartilhar garrafas, bomba do chimarrão, copos, pratos e talheres; e se tiver algum sintoma o contato deve ser por telefone com os médicos domiciliares do governo. Estes atendem as pessoas em casa, levando inclusive o teste.

Todos os bancos, com exceção do estatal Banco de La Republica que está aberto para poucas transações, estão fechados. Funcionam apenas farmácias, padarias (de duas em duas pessoas), supermercados, açougues (de duas em duas pessoas). Os shoppings e comércio  estão todos fechados, assim como hotéis e locais de turismo – parques, termas e praias. Neste ano, os uruguaios, que adoram pegar uma estrada, vão ter de se contentar em ficar em casa na Semana do Turismo. Restaurantes e rotisseries só funcionam com entrega.

Transportes – O Ministério dos Transportes e Obras Públicas reduziu os ônibus em 50% e todos os veículos, no final de cada viagem, são desinfetados. Estuda-se para os próximos dias diminuir ainda mais a circulação dos transportes coletivos em todo o território nacional. O governo restringe também a circulação de pessoas com uma serie de operações em diferentes pontos do país. Tudo isso para desestimular as pessoas a viajar. Quase 800 funcionários das três forças militares estão nas fronteiras do país – Argentina e Brasil – impedindo a entrada e saída de pessoas. Para conseguir ir de uma cidade para outra de carro é necessário obter uma licença do governo.  

As aulas estão suspensas por tempo indeterminado. Pela primeira vez os alunos de escolas públicas, cerca de 51 mil, vão receber alimentação durante a Semana do Turismo. As famílias que recebem ajuda, um tipo de Bolsa Família, vão ter à disposição também dinheiro extra em seus cartões, além de tickets alimentação.  Na quarta-feira também ficou acertado, entre o governo e o Comitê de Prefeitos, uma unificação da base de dados das pessoas que são atendidas pelos benefícios sociais. Tudo isso para melhorar a distribuição de verbas.

No setor econômico várias medidas foram tomadas. A última neste sexta com o subsídio por parte do governo de R$ 6.800 (em torno de R$ 7.200) durante dois meses para os pequenos empreendimentos que pagam tributos ao Ministério do Desarrolo Social – Desenvolvimento Social. 

Fundo Coronavírus

O novo presidente da República, Luis Lacalle Pou, anunciou há uma semana a criação do Fundo Coronavírus, um programa que vai servir para distribuir verbas às pessoas necessitadas com a finalidade de mitigar o impacto da crise sanitária, econômica e social.

Nenhum funcionário público receberá menos de 80 mil pesos (cerca de R$ 8.500). Para isso foram estabelecidas quatro faixas salariais. Quem recebe entre 120 mil pesos (R$ 12,5 mil) e 130 mil pessoas terão retenção de 5%. Os que ganham entre 130 mil pesos e 150 mil pesos a retenção é de 10%, até 180 mil pesos (15%) e os que recebem mais de 180 mil pesos terão retenção de 20% do seu salário.

A exceção são os funcionários da saúde, que não terão perdas salariais. Outra medida é a de que nenhum médico fique fora do Banco de Seguros do Estado. Todo o dinheiro retido vai para o Fundo Coronavírus. Essa medida também inclui deputados, senadores, presidente da República, mandatários militares e aposentados.  Na reunião de hoje, entre o governo e a oposição, a Frente Ampla propôs que a retenção dos salários de políticos e militares seja permanente, com o valor sendo investido na saúde pública. Outra medida do presidente é a tributação de aposentadorias acima de 120 mil pesos. O jornalista Antonio Ladra explica que o Fundo já foi votado pelas duas casas do Congresso e aguarda a promulgação do presidente do país.

Esse texto faz parte de uma série de matérias sobre como alguns dos países da América do Sul estão enfrentando a pandemia do COVID-19. Quais as medidas sociais e econômicas já tomadas, como evolui o vírus nos países – número de casos confirmados e mortes -, a situação no setor de saúde e os problemas a serem enfrentados nos próximos dias. As fontes são jornalistas de cada país, autoridades e dados oficiais dos governos.