De Violência e de Violência Legítima

11 de Setembro de 2020, por Carlos Walter Porto-Gonçalves


Certa vez, ali pelos anos 1980, me vi na circunstância de estar na casa de Leonel Brizola, então governador do Rio de Janeiro. Minha missão era recolher um depoimento de apoio ao candidato do campo popular a governador do Acre, para uma coalisão que envolvia vários partidos de esquerda que incluía o PDT e o PT. Depois de uma longa espera numa grande sala de estar de frente para o mar na Avenida Atlântica, o governador nos atendeu. Deixa estar que em meio à espera várias vezes o governador, entre uma reunião e outra, fazia pequenas observações aos que esperavam seu momento. Uma dessas observações é daquelas que não nos fazem esquecer jamais. Brizola nos confessara que é difícil governar com o povo e, para isso, nos deu um exemplo bem prático que vale, no caso, bem mais que as pretensiosas reflexões políticas sobre o tema. Dizia o governador que no dia seguinte às eleições, a gente comum do povo, que muitas vezes vota com entusiasmo e esperança, não tem nenhuma mediação para fazer chegar sua vontade aos que elegeram. Disse, explicitamente, que a gente comum não tinha sequer telefone nem tampouco o número do gabinete daquele que elegera. Enquanto isso, na sala de espera desse gabinete, se aboletam assessores e advogados bem pagos pelas empresas e pelas oligarquias para ali passarem o dia inteiro esperando para fazerem valer os interesses daqueles que lhes pagam polpudos salários.

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