Cuba e suas prioridades

6 de Abril de 2020, por Elaine Tavares

Enfermeiras saindo em missão para Barbados
Enfermeiras saindo em missão para Barbados

Hoje partiu para Barbados mais uma equipe das brigadas Henry Reeve, com 101 enfermeiras, para ajudar a pequena ilha do Caribe na sua luta contra o coronavírus.  Lá já são 56 infectados e uma morte foi registrada. E é sempre bom lembrar que Barbados é uma nação independente, mas que está ligada ao Reino Unido, tendo como chefe de estado a Rainha da Inglaterra. Com essa equipe já são 15 grupos de médicos e enfermeiros que saem de Cuba, num total de 700 pessoas, para prestar socorro médico nos mais diversos países do globo (15 até o momento, embora haja pedidos de mais 40). 

Essa é uma prática que o país vivencia desde o final dos anos 60. E porquê? Primeiro, porque inspirada na ação revolucionário do médico argentino Ernesto Che Guevara, que foi um dos revolucionários históricos da revolução cubana. Médico, ele nunca se furtou a atender a população quando fosse necessário. Depois, na África, igualmente, muitas vezes trocou o fuzil pela maleta de médico, garantindo atenção à população abandonada. Mais tarde, quando a ilha já formava sua primeira geração de médicos, as brigadas de ajuda tornaram-se sistemáticas.

Assim, já são 60 anos de ação médica, com a participação de mais de 30 mil médicos, isso sem contar os demais profissionais sanitários como enfermeiros e agentes de saúde. 

Com a revolução em 1959, Cuba saiu da órbita dos Estados Unidos e passou a vivenciar um sistema próprio de governo no qual a educação foi pilar essencial. Junto com a formação dos cubanos a revolução foi estruturando também o sistema de saúde que é público, gratuito e universal. Os recursos para esse setor chegam a quase 30% do orçamento geral. Lá, o sistema de saúde conta com nove médicos para cada mil habitantes, bastante superior a países europeus, por exemplo, que tem uma média de 3 ou 4 médicos para cada mil habitantes. A preocupação com a saúde é tanta que nem mesmo durante o período especial, quando da queda da União Soviética, parceiro importante da ilha, jamais  governo fechou um hospital ou um posto de saúde. Pelo contrário. Quanto mais a ilha é atacada, mais o governo pensa em como proteger o seu povo, sendo bastante conhecido e reconhecido o seu programa de médico de família. 

A prevenção de doenças é prioridade e a população é instruída, tanto pelos médicos e enfermeiras, como pelos milhares de agentes de saúde, a se manter saudável. Os problemas com o bloqueio econômico são tantos que um corpo sadio é fundamental para o enfrentamento com o império. Cuba também mantém uma escola latino-americana de Medicina,na qual forma médicos, com estudantes vindos de vários países do continente e também da África. Isso faz com que o número de profissionais seja grande e permite o envio das brigadas por todo o planeta. É bastante conhecida a ação de Cuba durante o surto de Ebola na África, como também durante a crise da cólera no Haiti. Os médicos cubanos vão aonde ninguém quer ir. 

Atualmente, com a pandemia mundial do coronavírus a ilha socialista mais uma vez se diferencia de seu antagonista principal – os Estados Unidos. A primeira ação do governo estadunidense quando a crise eclodiu na Europa foi mandar 30 mil soldados, tropas militares, para sabe-se lá o quê. Cuba enviou e segue enviando médicos. 

Agora, quando a crise chegou também aos Estados Unidos, de novo é possível perceber as diferenças entre um sistema socialista, que garante saúde universal, pública e gratuita e o sistema capitalista/imperialista comandado pelos EUA. Lá, a pandemia segue sem controle, com mais de 300 mil infectados e quase 10 mil mortos (hoje, cinco de abril). As pessoas que não têm seguro saúde,somam mais de 40 milhões, estão entregues ao deus dará, e outros tantos milhões que possuem seguros de baixa cobertura também estão na mão. Qualquer atenção médica na rede privada estadunidense custa uma fortuna e há quem se recuse a ir para o hospital por medo da conta que será apresentada ao final. 

Essa é uma hora trágica para a humanidade e na grandeza desse drama humano fica muito fácil perceber o quanto o capitalismo é nocivo à maioria da população, aos trabalhadores. Dia após dia, vai se percebendo que para os governantes o mais importante é a roda da economia girar, com as pessoas ficando em segundo lugar. Donald Trump, por exemplo, sem pejo, disse que estará tudo bem se morrerem 100 mil estadunidenses. Será preço a pagar para que o capital siga se expandindo. Não há um plano para salvar as gentes, mas sobram planos para salvar bancos e empresas. 

Enquanto isso, a pequena e mal/dita Cuba socialista vai mostrando o que realmente é importante para seu governo e para o sistema que ali se plantou em 1959: sua gente, bem como os trabalhadores de todo o mundo. Mantém com segurança o seu sistema de saúde interno e ainda manda médicos pelo mundo todo, salvando vidas.