O Nehal oferece atividades semestrais em forma de seminários de leitura. Os temas e os autores são escolhidos pelo grupo. A entrada é livre bastando apenas o compromisso da leitura dos textos e do debate.

ONúcleo de Estudos de História da América Latina (Nehal) foi criado em 2006 pelos professores Waldir José Rampinelli (Departamento de História) e Ana Brancher (Colégio de Aplicação), com sede no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente é coordenado por Waldir Rampinelli e Elvis Poletto. A proposta surgiu por conta do desestímulo, nos cursos de história, à análise crítica, à participação política e o consequente incentivo à neutralidade e ao distanciamento do objeto de estudo, que leva a uma clara tentativa de eliminar o intelectual engajado, fazendo ressurgir o analista imparcial. Dentro dessa perspectiva, é compreensível que os estudantes quase não se utilizem da teoria marxista para fazer seus trabalhos de conclusão de curso ou projetos de seleção para mestrado e doutorado. Tampouco são estudadas as relações de poder em política internacional e o tripé de dominação dos países imperialistas nos últimos 60 anos: o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). Também não se faz um estudo histórico sobre as políticas neoliberais e as ditaduras militares que as prepararam; sobre a ideologia e sua utilização pela classe dominante; sobre a história e sua conexão com a política; sobre o poder das elites e sua reprodução; sobre as relações entre classes sociais e a distribuição de renda; sobre a intensificação da luta de classes e suas consequências atuais.

O estudo do cotidiano pode prestar grandes serviços ao historiador. No entanto, é fundamental o uso de uma teoria que parta da compreensão de que a vida diária está condicionada pela formação social, assim como pela estrutura e dominação de classe. O mesmo acontece quando se analisa a relação de gênero, já que a opressão sofrida pela mulher do latifundiário é completamente distinta da que passa a do boia-fria. Enquanto a co-proprietária de terras resolve o problema do machismo por meio de um advogado, a sem-terra sente a dura realidade do abandono, quando não da própria exploração pelas mulheres ricas por meio da prestação de serviços domésticos degradantes e mal remunerados. Marc Bloch chega a dizer que somos tão pouco afeitos à crítica que, quando a fazemos, tomamos o cuidado de pedir desculpas antecipadas.

A Escola dos Annales, no afã de superar a história tradicional que trabalha com a narrativa dos acontecimentos políticos e militares ressaltando  os grandes feitos realizados por grandes homens, revolucionou o estudo da própria história ao abri-la pra as ciências humanas em geral. Por outro lado cometeu excessos ao desprezar determinados eventos que foram produtores de mudanças significativas. Tanto que membros dos grupos dos Annales começam a redescobrir, agora, a política e até o acontecimento. Nesse contexto, é de fundamental importância o estudo da Revolução Cubana e sua resistência ao imperialismo estadunidense; a Guerra do Contestado e a luta pela reforma agrária; a Revolta da Cabanagem e o seu caráter de conflito de classe.

O NEHAL, diante desta perspectiva, se dedica a estudar tais temas – como as Revoluções Mexicana, Cubana e Bolivariana – para entender as mudanças conjunturais e estruturais que começam a gerar o novo na América Latina.

Objetivos

Pesquisar, estudar e promover eventos sobre a história latino-americana dentro de uma perspectiva de análise do pensamento crítico. Para tanto, o Nehal se propõe a realizar a passagem da escova da história “a contrapelo”, na concepção de Walter Benjamin, para dar voz e vez àqueles “que sofreram, trabalharam, definharam e morreram sem ter a possibilidade de descrever seus sofrimentos” (Michelet); para iluminar uma profunda e extensa parte do passado que permaneceu escondida por determinação de uma classe dominante; para clarear o presente e ajudar a construir um novo futuro.