Revolução Sandinista: a construção de uma nova hegemonia

Autores: 
Nicolle Montalvão Pereira

Resumo

A Revolução Sandinista, ou Nicaraguense, foi um peculiar processo de insurreição popular liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) que derrubou a ditadura somozista –a mais duradoura da América Latina –e reconstruiu um país em ruínas. Tal processo revolucionário durou onze anos (1979 –1990), tendo dois momentos: primeiramente o das guerrilhas urbanas, no campo e a guerra civil, que resulta na queda da ditadura; e posteriormente a construção da revolução, isto é, de mudanças na sociedade nicaraguense em prol da sua população, que tinha em suas mãos a tarefa de reerguer o país e transformá-lo conforme seus anseios e necessidades. A natureza paradigmática da Revolução Sandinista não impediu que em seu processo ocorressem inúmeros desafios externos e mesmo entre grupos dentro da própria FSLN. Nesse sentido, o processo revolucionário sandinista foi a tentativa de construção de uma nova sociedade e, considerando o conceito gramsciano de hegemonia, pode-se afirmar que a revolução na Nicarágua configurou a construção de uma nova hegemonia, tendo em seu processo disputas hegemônicas internas, como a situação das mulheres sandinistas; e externas, como a guerra aos “contras”.